segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Paixão ou Verdade

A Paixão é um paliativo 
para sintomas de amores in-cu-ráveis. 

A Paixão é a bóia de um romântico que está se afogando na superfície das próprias emoções, ou um submarino para os que querem escapar das profundas de si.

A Paixão é uma verdade volátil, que começa na feira do domingo e termina na manhã de terça-feira. 

A Paixão é uma dispepsia qualquer, movida por caprichos do paladar, seguidos de indigestão. 

E antes fosse um reflexo de nutrição. Não! 
A Paixão é refluxo, excesso de ácido, gofada.

Vez!
A Verdade Mais Pura desatinou!
Se espalhou pelo Tempo, enrAmou 
e todo quintal sorriu.

Vez!
A Verdade Mais Pura se declarou,
 deu a voz ao Silêncio, orquestrou.

Meu canto afinal, se ouviu, 
despiu
e foi!


quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Estrela d'Água



E nessas idas e vindas do fazer cotididiano
das caldalosidades luminosas da vida,
a inspiração pede passagem
e pode chegar assim:
nem doida, nem varrida.
Simplificadamente,líquida...

Gostosa e volátil feito destilada bebida,
cuja essência arrastada pelo Ar,
rodopia no raio, no chão e no ventre...
aroeirando a canção e tecendo o raro efeito e a dança.

Se vai diluir muito além da mente...
lindamente!


Hoje... no fim da tarde,
pela encosta do Infinito
nas beiras do Tempo,
eu HidroSolei e cantei.




*Poema inspirado num fim de tarde num templo dedicado ao Sol, após ter consagrado uma medicina da cabocla Aroeira.

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

MeteHórus

Amor,
Escrevi uma carta a você,
mas depois de tanto escrever,
meti a poesia no cu.

Poesia é supositório,
massagem no intestino,
comburente de mágoas
e solvente pra raiva.

Amor,
Eu sinto tudo isso porque sou gente.
Atravesso a lascívia do templo
e entro, entro, entro, entro
até chegar na serena do estado vazio,
no silêncio e na escuridão.
Onde tudo cala.
Onde tudo aceita,
aquieta e deita.
Onde o Nada chega
e se faz presente,
e se faz inteiro.

A Emoção? Se eleva...
Vai ao mais perfeito sentido,
que tateia minhas anti matérias.

Metafísica...
Mórfica...
Meteórica...
Metáfora?!

Amor,
Eu só meti a poesia no cu...
E curei !

E você?
Tá bem?

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Lavoura



Ei, Amor Tranquilo!
Antes de saber-se colheita, celebre semente.
Prepare esse chão que te preza... 

Do humos Verdade floresce fartura, 
 presença, vontade, ternura.

E o fruto que dá - e que dura,
é sumo-doçura,
é mel.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

FILHOS DA FRUTA


Se eu gosto de laranja,
que problema tem se eu também gostar de uva?
O mais importante é o instante,
porque a ordem dos sabores não altera a fruta.

Descasco, desolvo na boca, até o caroço...
Eu me derreto em seu açucar!
Desfruto, te bebo a saliva e bêbada fico...
Me aguarde, que eu te dou seu doce!
Pra que tu foste dilatar o meu juízo,
o meu sorriso?

Fruta madura, quando ninguém pega, ela se entrega,
se rende ao sabor do sim do chão.
Eu já cheguei no ponto...
Ó eu, prontinha pra colher!
a colher, acolher...

Mas, se você não quer fruta do pé,
vá pra fruta que caiu!!!

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Artesanias

O dia tem dessas artesanias. Vem e me acorda dourado, como a dar-se inteiro para nos presentear. Presentificar. Mover as peles com argila e água. Banhar de cheiro a fé. Deixar e se guiar na Guia... Senhora.

O meu dia pedia cantiga e a Luz do Sol se deu o dia inteiro, à fina flor do sonho que se vive em cada riso, em cada gesto ou palavra boa que se eleva e dá de si o que tem de melhor.

Maneira



Maneira de amar é estar solto de tudo,
prestes a topar qualquer peleja,
para prosseguir existindo em paz.

É saber ser-se.
É tornar natural aquilo que alimenta.
Entregar-se à ternura, sem medo e sem medida.
Maturar o sonho na clareza da madrugada,
enluarar o tempo, se derramar.

Maneira... de amar inteiro,
sem cobiçar a beleza,
sem pormenor,
sem vergonha,
sem achar que sabe demais do outro
ao carecer saber mais de si mesmo.

Sem iludir, se apegando ao enredo,
ou se embolar nos fios da trama.
Sem drama,
vamos sair da 3D.

Nos livrar dessas culpas nossas de cada dia
Em torno do sexo, uma energia inocente,
o abre alas da vida
Uma oportunidade do Amor.


 que seja a brincadeira da vez,
a diversão derradeira de um dia.

 Maturação do sonho na clareza das madrugadas
  e uma criança em ritmo de asa, a se balançar na rede
ninando a sua sede sob o cuidado vigil dos avós de um sertão.

O vento é o corpo do dia,
dança.
Que a Lua já chega logo,
mansa.




...


Nem

●+



Sinto, logo, curo.
E vacina pra menina
é Ocitocina.

domingo, 16 de outubro de 2016

RUMORES DE ARRUMAR RUMO


Num dia de nascida-mensal e lua-intensa-de-transformações, dois passarinhos azuis apareceram aqui na janela. Nesse exato momento, nos fios do poste, sentaram e fiaram conversa a respeito de como se lançar no azul.

Foram.
Sem demora, foram no rumo de um destino partilhado, que se expande por toda parte.
Unidos em Caminho, seguiram seguros, numa dança de arribações, se rendendo e enredando no suingue do Ar. De leve, no groove. Trinindo e silvando. Oras distante, oras tão junto. Um muito arriba, outro voando rasante ao musgo do telhado das casas antigas. Tudo tão por encanto; tudo tão por enquanto.

A Vida é Um Quando Agora que  ninguém pode explicar...
E esse é o movimento de um passar azul. Um que se faz parecer brincadeira para dar de comer aos que carecem de alegria ou aos que escolhem se alimentar da bela Pureza.

Avante, Leveza!
Eu Sou Natureza.

quinta-feira, 31 de março de 2016

Nutrição:

Isso, ou aquilo, de a Alma pegar o Ego ao colo e - se dispondo a dizer coisas sobre o tempo, dar tratamento ao Tempo. O tempo que o corpo precisa para digerir bem as emoções...

É tudo aquilo que é comido para além da boca.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

PUREZA


Então, de repente, a Vida nos dá um dia
em que o coração deita a invadir o corpo inteiro,
depois de escancarado por uma chave de cheiro.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Casulo Papilônio



Vai, Amor!
Avia!
Sai daqui de dentro
e encerra essa agonia.

Eu sou casulo, você borboleta.
Hoje é seu dia, único dia.

Portanto, trate logo de voar pro fim
e faça valer essa explosão de Eu,
que se deu
em mim.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Carne da Carne

Os ideais de modernidade tendem a eliminar o verde e abafar a Vida embaixo do concreto, como a ser o concreto a coisa que há de mais essencial.

 Pois...

 Como pode haver riqueza na Vida sem o cheiro da pureza de uma planta, quando esta brota independente no chão? A Natureza é que sabe das suas vontades próprias. Nós, somos apenas carne da sua carne.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Vai lacrimejar num samba, vai !

Há de haver compaixão
 para aqueles que dizem Não?

O anti- herói desgarrado da trama,
veio abraçar a escolha;
mirar no fundo do peito
 flor que nasce da lama.

E assim foi que pediu perdão
por não ser bom moço a todo momento,
no desenrolar desse enredo Vida:
da cena morte até o nascimento.

"Un coeur a fleur de peu.
Ne suffre pas, mon ami."

Digo não porque mereço,
porque como as crianças que vivem de pés no chão, eu aprecio muito mais as brincadeiras que me ascendem o corpo, me enchem de ar e inauguram em mim sempre um novo Silêncio.

Coisas como essas que sequestram toda a atenção para esse lugar onde não há certo ou errado; onde eu não preciso impressionar ninguém, nem acertar a combinação entre a blusa e o sapato; onde  não preciso agradar para ser aceito; ou dizer sim quando não estou com a verdade nisso.

Simplesmente...
- "Licença aqui, que eu só quero ser Eu."

Se isso incomoda,
vai lacrimejar num samba, vai!

domingo, 18 de outubro de 2015

In-Visível

O mundo anda cheio, inchado.
Há muitos conflitos nas fronteiras.
Há muitos perigos na rua;
ali do lado de fora,
mais dentro do que se pensa,
no vão do desconhecido.

Aqui, do lado de dentro - morada que me habita,
o mundo é só essa hora:
cenário do Invisível,
que indizivelmente
acontece.

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Ninguém & Alguém


E para além da pré-ocupação de providenciar o ter-aonde-cair-morta,
Quero é seguir na fé de me erguer viva a cada dia.

Abrir as portas cedo, 
deixar o sol entrar.

Quero plantar uma horta.
Esverdear presença.

Deixar o Amor.
Partir.
 Em boa hora.

Fazer caminho de novo.
Chegar ali, além, alado.

Abandonar as roupas e as garrafas secas,
encher meu corpo d'Água sem medir as vontades.

Nos permitir leveza...
Louvar em cada um
o que ninguém nem vê.

Deixar de mim aquilo que não dá precisão
e se espalha no Tempo,
no Vento,
no Coração,
nos brotos,
na Primavera.

Só as crianças sabem:
Que o poema jamais precisou de romance.

A poesia precisa é de cheiro,
A poesia precisa é de planta,
Porque o salão da Beleza não tem solidão. 
E a poesia se doa, pelo Sim, pelo Não.
E não pede troco, nem troca.
Já que pode abrir-se e aceitar de si o que vier,
sem medo.

Ninguém deu nada a Alguém.
Alguém nem viu...

E pra terminar essa estória... Era uma vez!

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Em romance com a Presença





As Ervas me abrem os portais do espírito,
 os tantos espíritos que me São.
Sinto isso todos os dias...

Planeta Terra,
eis aqui eu me encontrando a percorrer missão,
a caminhar Tua pele morena
de ascendência Tupinambá.

Eu te agradeço a imensa chance de viver o Amor.
E todo dia escolher mote, enredo e presença -
o romance tranquilo de quem contempla.

Vamos sem pressa...
O que seria de mim se não fosse o som?
O que seria de mim se não fosse o irmão ?

Lado aliado agora vem despertar o querer: vida, viola e coragem.
Pra viajar minhas veias, ir lá no fundo e voltar.
Compreender, entregar, beijar sem medo -
feito criança.

O meu lugar tem história
sendo o que É, do seu jeito.
E anuncia dentro de mim:
 Quero viver o meu sangue!!!

Quero curtir minha peles também,
saber deixar para trás, ir além.
Saber despir quando for necessário,
feito serpente a deixar rastro d'alma,
tecendo o fio entre o chão e o infinito

itinerário.

terça-feira, 19 de maio de 2015

Oração do Amanhecer-se



Amor,
Rio perene das cores
Que segue pro oceano da Luz
Ensina-me o dom das correntes
A permear a dureza das pedras
E reconhecer a leveza na queda
Pra não me perder dessa fé que conduz.

Nascente criança
Me mostra o caminho cristalino.
Nas profundezas escuras
Que eu possa encontrar tua voz.

Serena Guiança do colo da Mãe,
Desperta o meu dia
Liberta o destino
Eu sou o que Vocé É.